Valorizar o próprio trabalho é valorizar a si mesmo

Que profissional nunca sofreu com um diminutivo? Uma olhadinha, um textinho, um desenhozinho, uma arrumadinha; as possibilidades são infinitas, principalmente se você for profissional autônomo ou em começo de carreira. Como agir nessas situações? Este texto te dará uma “ajudinha” (rs).

Antes de tudo, duas coisas importantes que precisamos sempre ter em mente: primeiro, quando te pedem um trabalho, por mais simples que pareça ser, você não cobrará apenas pelas horas que gastará realizando-o, mas também por todo o investimento físico e mental que fez ao longo dos anos para aprender determinada atividade. Os cursos, as horas estudando, as outras tantas praticando... tudo isso entra nesta conta, mesmo se o pedido lhe tomar pouco tempo.

Em segundo lugar, é preciso lembrar-se - e a quem te pediu o trabalho - que tudo nessa vida envolve certa complexidade e quando alguém te pede para fazer “só” uma coisa, raramente será só ela. Peguemos dois exemplos, um de direito, outro de marketing: o advogado que dá uma “olhadinha” numa decisão judicial não poderá dar o parecer sem folhear o resto do processo; enquanto um post para divulgação precisa de uma análise de público alvo, contexto, tom e voz e do histórico da empresa, não é simples criação no Photoshop. Tudo isso sem contar as reuniões e os outros profissionais que, dependendo do que for, você precisará envolver – o que impacta também nas demais tarefas que já fazem parte da rotina. Enfim: uma olhadinha nunca é só uma olhadinha, um post nunca é só um post.

Agora, mesmo sabendo de tudo isso, por que é tão difícil agir nessas situações?

Um dos motivos é a noção errada de utilidade, principalmente quando seu trabalho depende de ideias e criatividade. Para alguns, é mais fácil entender o valor do trabalho manual, como de um pedreiro, que vemos carregar cimento e tijolos e montando uma parede com as próprias mãos, do que no trabalho puramente intelectual de determinadas atividades, e muitos profissionais se perdem nessa insegurança - insegurança enquanto à importância, utilidade ou valor do que faz. Isso é uma grande besteira.

Seu trabalho importa, você estudou e se dedicou muito para aprende-lo e o fato de alguém buscar a sua ajuda só comprova tudo isso. E se alguém te procurou para fazer algo para e por ela, é porque ela mesma não consegue fazê-lo.

Ciente de sua utilidade, passamos ao próximo passo, que é se valorizar diante de quem não dá ao seu trabalho a devida importância. Voltemos ao exemplo do post: grandes empresas gastam milhões em mídias sociais. Já a pequena empresa do seu conhecido, no entanto, não investe nada. Apesar disso, ele também quer ter uma página legal, um design bonito, um conteúdo que atraia clientes. E aí ele te pede a ajudinha, quando, na verdade, deveria te contratar para fazer o trabalho legal que você é capaz e que ele tanto deseja.

Ou até mesmo seu atual cliente, que já tem um escopo estabelecido para você atende-lo e ele paga pelo que foi acordado. Claro que é necessário entender momentos e momentos, necessidades e necessidades, flexibilizando de vez em quando, mas nunca deixando de mostrar o valor do que está fazendo e evidenciando o que é “extra” ao combinado.

Logicamente, outras questões também entram nessa confusão: o medo de negar trabalho ou parecer antipático, a eterna dúvida se vale a pena trabalhar de graça na expectativa de fechar um novo cliente depois, ou mesmo o constrangimento de negar um pedido, principalmente se for de alguém próximo de nós. Talvez a solução seja olhar caso a caso, mas nunca se esqueça que, uma vez aceito, você assume não só um trabalho que pode tomar horas do seu dia, mas também uma responsabilidade, afinal é o seu nome, a sua empresa, a reputação do seu trabalho; a partir do momento em que você diz “sim”, não importa se está fazendo de graça para um amigo ou ganhando milhões de um supercliente, você terá que tratar com a mesma seriedade.

Conclusão? Tenha confiança em tudo que você aprendeu e em você mesmo, e se valorize quando alguém agir como se seu trabalho fosse algo simplório que pode ser feito em 5 minutos. Vivemos em um mundo cheio de oportunidades, e da mesma forma que há centenas de profissionais como você, trabalhando muito para conseguir fazer a diferença, há também muitos clientes legais interessados pelo o que você faz. São esses que a gente precisa encontrar.



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