De que forma o greenwashing atua como agente oportunista?

Apesar de não muito utilizado, mas cada vez mais presente nas questões atuais, o termo pode ser empregado por companhias e indústrias públicas ou privadas, ONGs, governos ou políticos. Significa que a estratégia é promover discursos, anúncios, ações, propagandas e campanhas publicitárias sobre ser ecologicamente correto/sustentável, à medida que não se adotam políticas verdadeiramente sustentáveis.


A principal intenção da “lavagem verde” é associar a imagem de quem divulga essas informações à defesa do meio ambiente quando, na realidade, as medidas adotadas, em sua maioria, são as que mais geram impactos negativos. O greenwashing é como uma propaganda enganosa: uma imagem é transmitida, porém não representa a realidade.


Ao optar por fazer greenwashing, uma empresa pode mascarar as verdadeiras intenções e atrair novos consumidores ou então sofrer com os danos à sua imagem pela inesperada divulgação da veracidade dos fatos, perdendo consumidores/compradores.


Apesar da maioria do emprego desse artifício ser na área publicitária do meio empresarial privado, esferas públicas frequentemente fazem o uso do greenwashing também. É bastante comum observar candidatos políticos utilizando o apelo ambiental como estratégia de marketing, principalmente em época de eleição ou até mesmo durante o mandato.


Muitas vezes os consumidores acreditam nas informações passadas sem questionar se são, de fato, cumpridas tais ações. Por vezes, estoura algum escândalo, várias pessoas ficam chocadas, e todo o impacto reverbera no estigma de que “é tudo marketing”, como se “marketing” significasse mentira.


Na internet, principalmente nas redes sociais, também vemos bastante greenwashing. Algumas práticas ainda são recorrentes entre influencers que difundem um estilo de vida, mas vivem outro.


Um exemplo disso são os casos de blogueiros que se intitulam veganos e aparecem na net usando roupas e produtos de origem animal... Há também os casos de páginas dedicadas a receitas vegetarianas em que os responsáveis são vistos comendo carnes!


Existe também o paradoxo em que muitas pessoas vendem um estilo de vida saudável e eco-friendly, e fazem parcerias com marcas que geram poluição e desrespeitam o meio ambiente ou os animais. Hipocrisia? Falta de congruência? Falsidade? Ou burrice mesmo?


Nessas situações, o público costuma ser mais engajado e se manifesta com maior potência em comentários e mensagens diretas para os responsáveis. Porém, o prazo e o período entre o escândalo e o seu esquecimento, por sua vez, ainda são curtos. O imediatismo da população dos anos 2020 é assustador! Nada perpetua...


Com isso, o greenwashing continua lucrando e até se tornando mais comum: muitas grandes marcas erguem uma bandeira de defesa do meio ambiente apenas para fazer parte dessa onda - mas, no fundo, não fazem absolutamente nada do que defendem.


Para assegurar a integridade da mensagem passada, o consumidor deve estar alerta aos possíveis usos dessa “estratégia” (com muitas aspas). Pensando nisso, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor criou um módulo completo sobre o greenwashing, desde o conceito até pesquisas e dicas para reconhecer e não se deixar enganar pelas práticas usadas pelas empresas. Todo o conteúdo segue disponível no link: https://idec.org.br/greenwashing. Vale a pena dar uma conferida e estar sempre atento!


Para mais detalhes sobre o greenwashing, acesse https://ibracam.com.br/blog/voce-sabe-o-que-e-greenwashing



- Por Juliana Scarpi

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