A era dos streamings

Gigantes do streaming batalham para manter seus assinantes à medida que a concorrência aumenta no mercado


Tudo começou em 1997, quando o meritório Reed Hasting fundou sua empresa de envio de DVDs alugados, a Netflix. Em seu início, sua maior concorrente era a gigante – hoje não mais presente no mercado - Blockbuster, brigando pelos consumidores através de prazos de entrega, preços e portfólios de filmes. Por um bom tempo, Hasting considerava aperfeiçoar seu modelo de negócios tornando-se possível que consumidor assistisse ao filme online com mais praticidade.


Foi só muito avanço tecnológico que, em 2007, a empresa iniciou seu modelo de negócio de streaming, aperfeiçoando e expandindo suas atividades ao ponto de ser, hoje, indicada a ação que mais valorizou na década, atingindo uma valorização de 4.000%. A ascensão da Netflix mudou de maneira notável o comportamento dos consumidores e, junto, despertou interesse de outros gigantes, querendo uma parte dessa inédita oportunidade de mercado.


Os passos da Netflix começaram a ser seguidos pela Hulu (2008), HBOGO (2010), Amazon Prime Video (2011) e atraíram até as gigantes Disney e Apple, que iniciaram a fase de testes de seus serviços no EUA no final de 2019 [Exibição 1]. À medida que as grandes produtoras entravam no mercado, as plataformas já existentes tiveram que lidar com o desafio de investirem em produção de conteúdo original a fim de substituir os filmes e séries que abandonavam seus catálogos passando a existir somente nas plataformas das próprias produtoras.


Exibição 1 – As gigantes do mercado SVOD (dados aproximados) Obs.: mundialmente, o número de Serviços SVOD já ultrapassam 25 opções (muitos destas são locais, sem grandes expansões até o momento – ex. GloboPlay).

A tendência é de que esses investimentos aumentem muito nos próximos anos. Só em 2019, a Netflix registrou um gasto médio de US$ 15 Bi em produções originais, enquanto o gigante do varejo Amazon desembolsou US$ 5 Bi. Já a nova entrante, Apple, US$ 6 Bi! Tudo isso com o objetivo de manter as assinaturas de seus telespectadores, que encontram cada dia mais opções. Mas não pense que os esforços das SVOD estão focados apenas nesse ponto! Para elas, o custo de retenção do consumidor também se aplica aos preços de mensalidade, variação em seu catálogo e acessibilidade/navegação. Veja abaixo [Exibição 2] os principais fatores de competição:


Exibição 2 – Fatores de Competição do Mercado SVOD

Esse novo modelo pode ter falido as locadoras dos tempos antigos... mas e as TV por assinatura e as grandes salas de cinema, como ficam nesse cenário? Bom, foi apenas recentemente que os dois mercados registraram leves oscilações em seus ganhos, deixando difícil para já traçarmos uma sentença a eles. Desde 2014, o número de assinaturas de SVOD aumentou mais de 27% globalmente, enquanto as assinaturas de televisão a cabo caíram 2%.


Ao mesmo tempo, a receita das salas de cinema teve um comportamento ambíguo, aumentando em 7% nos EUA e Canadá, porém reduzindo em -1% no restante do mundo. No entanto, os donos de cinemas não se sentem ameaçados pelas plataformas de streaming. Na verdade, enxergam as SVOD mais como um serviço complementar do que uma rival mortal.


Um estudo feito pela EY (“The Relationship Between Movie Theater Attendance and Streaming Behavior”) indica que os maiores frequentadores dos cinemas são também os mais consumistas dos conteúdos streaming. O porquê deste comportamento se deve pelo fato da atividade de “ir ao cinema” ser vista como uma espécie de programa de lazer às pessoas, uma possibilidade de sair de casa e se distrair, como o próprio presidente da MPAA, Charles Rivkin, disse no evento do setor em Las Vegas: “odo mundo tem cozinha em casa, mas as pessoas continuam saindo para comer fora”.



De acordo com análises feitas pelo portal Statista, é previsto uma receita de US$25.8biem 2020, representando uma variação positiva de 6.8% em relação a 2019 [Exibição 3]. Assume-se também que o mercado de serviços de streaming terá um aumento nos próximos anos, porém em breve atingirá seu pico, principalmente nos países desenvolvidos. O número de assinantes terá um progresso simétrico nos próximos anos, chegando a 1,306 bilhão de usuários em 2024.



Exibição 4: Previsão do Número de Usuários - Mercado SVOD (Fonte: Statista)

A fim de conquistar boa parcela desse mercado próspero em escala global, a precificação das mensalidades será um fator importante, devido à falta geral de disposição para pagar por parte da população de grandes mercados em potencial, como exemplo a China (o país, com mais de 1 bilhão de habitantes, ainda não tem a presença dos serviços Prime Video e Netflix).




Ainda veremos entradas de mais novos players, como também poderemos presenciar fusões e/ou aquisições entre as empresas SVOD, da mesma maneira que já vimos ocorrer entre famosas produtoras cinematográficas (como exemplo, a famosa compra da 21st Century Fox pela Disney por US$ 71 bilhões em 2019), e talvez até mesmo a criação do serviço de pacotes de streamings.


E se preparem para os novos conceitos que estão prestes a entrar no mercado, como o caso da plataforma Quibi, criada pelo ex-CEO do eBay e ex-CEO do DreamWorks Animation: o objetivo é fazer produções de vídeos curtos - máximo de 10 minutos - a serem assistidos no celular (já há projetos confirmados com Idris Elba, Naomi Watts, Jennifer Lopez e o diretor Guillermo Del Toro).


Podem ter certeza: ainda teremos muito o que falar desse mercado...




- Por Sâmar Ghattas

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