VUCA

Na adolescência, você ouviu Nirvana e aprendeu sobre a generation x. Na faculdade, leu Bauman e conheceu a modernidade líquida. Boomers, Millennials, fear of missing out; em todo recorte histórico, há a tentativa de compreender e definir gerações e seu comportamento, o desejo por entender o mundo em que vivemos - esse mundo cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo, ou VUCA, o próximo termo que você precisa conhecer.

Cunhado pelo exército americano após o final da Guerra Fria (no inglês: volatility, uncertainty, complexity e ambiguity), o termo VUCA antevia o mundo não mais dividido em duas super-potências, mas composto por diversas nações, todas elas interagindo entre si conforme seus próprios valores e objetivos. Fora do ambiente militar, conforme os avanços tecnológicos (e suas consequências sociais) se tornaram cada vez mais repentinos, o acrônimo foi incorporado também pelo mundo corporativo, ante a dificuldade de definir e antecipar o comportamento de usuários, clientes e consumidores.

Comecemos pela volatilidade. Algo volátil é algo em constante mudança. Um mundo volátil é um mundo em perpétua transformação. E ainda que essa transformação seja intrínseca ao desenvolvimento natural da humanidade, ela nunca foi tão rápida. As novas tecnologias, o volume de informação disponível e a inclusão de cada vez mais grupos sociais no debate coletivo fazem com que avancemos cada vez mais rapidamente em períodos cada vez menores.

Por consequência, se tudo é volátil e está em constante transformação, é também incerto. Como prever o que será do mundo nos próximos anos se não sabemos o dia de amanhã?

Volátil e incerto. E também globalizado e totalmente conectado. É um mundo em que não se sabe o que vai acontecer, mas, seja o que for, é certo que terá infinitas consequências e repercussões, atingindo os mais diferente grupos. Daí a complexidade, terceira letra do acrônimo.

O que nos leva ao último termo: ambiguidade. Diante do cenário volátil, incerto e complexo que construímos até aqui, qualquer tentativa de padronização se torna impossível. Nietzsche escreveu que “não existem fatos, apenas interpretações”, e interpretação é o que não falta num mundo que se move em revoluções por minuto. Abrimos o texto citando as tentativas de se definir gerações e momentos da humanidade, e talvez a grande conclusão da teoria do mundo VUCA seja justamente que qualquer definição é impossível.

O rádio demorou quase 40 anos para atingir 50 milhões de usuários. A televisão, duas décadas; e a Internet, 5 anos. O jogo de celular Pokemon Go, 19 dias. Em 29 de junho de 2007, Steve Jobos lançou o primeiro iPhone. Era, então, possível prever as mudanças e o papel que o celular tomaria em nossas vidas? Se, nas décadas passadas, a personalidade mundialmente famosa dependia do estúdio de cinema ou canal de televisão, hoje a próxima celebridade está gravando vídeos sozinha no quarto com seu celular. Estes são apenas alguns exemplos do impacto e velocidade das mudanças que aconteceram em nossas vidas.

E o que fazer com essas informações? Podemos negá-las, fingir que vivemos em outra época, mais estática e previsível. Isso provavelmente ajudaria a diminuir (ou ao menos controlar) a nossa ansiedade. Ou podemos aceitar que vivemos em mundo imprevisível e em constante mudança, o que também significa um mundo de infinitas possibilidades.

Às vezes, tudo parece fora de controle, mas ainda temos muitas escolhas a fazer.

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